domingo, 31 de julho de 2011

Lugar de palhaço é na escola!!!!



Muitas coisas tornam o palhaço importante em TODOS OS LUGARES, e principalmente na escola!


 A figura do palhaço, por si só, está presente no imaginário das pessoas de inúmeras formas, reúne um conjunto de sensações e sentimentos que vão da alegria à tristeza, do desprezo à generosidade. Quando o palhaço invade um espaço, o local e as relações que se estabelecem neste, se revestem de novos significados. Quando um ator ou aluno-ator experimenta um processo de auto-conhecimento (necessário para o desenvolvimento da figura do palhaço), aceitação e revelação. Da mesma forma tem a possibilidade de experimentar os mais variados estados de humor e as relações com os outros (colegas de cena ou platéia), tendo em vista as características da linguagem e do jogo clownesco.
No meu entendimento, o trabalho com o palhaço no contexto escolar pode se constituir num importante instrumento de aprendizagem tanto ao que se refere aos conteúdos teatrais quanto a outros que perpassam diferentes disciplinas e os denominados conteúdos transversais presentes na LDB.
Seguem alguns aspectos que considero importantes no trabalho com o jogo do palhaço na escola:

a) contribui para o desenvolvimento das relações interpessoais, na medida em que se reconhece e se explora as individualidades de cada um e se fortalecem as relações dentro do grupo de trabalho, o que amplia os recursos para o jogo de cena e abre espaço para uma atmosfera de trabalho prazerosa e de liberdade no grupo;

b) possibilita a construção do jogo cênico, na medida em que desenvolve a compreensão da própria ação e da ação do colega, assim como das respostas da plateia frente às ações cênicas;

c) contribui para o desenvolvimento de diversos conteúdos teatrais, o que vai além do jogo do palhaço, pois permite um reconhecimento das características de expressão individuais e coletivas, que podem ser utilizadas em outros momentos de construção teatral, como desenvolvimento de personagens, figuras, ação dramática, etc.;

d) possibilita o desenvolvimento de ações cênicas criativas, a partir de uma lógica de ação que vai além dos comportamentos cotidianos e que então promovem a construção de ações diferentes das conhecidas e permitidas no convívio diário;

e) possibilita uma reflexão sobre o indivíduo e sobre o mundo que o cerca, na medida em que permite a experimentação de diferentes maneiras de entendimento sobre determinadas situações, pois instiga a exploração, ampliação e subversão das ações, sem a censura ou limitação da razão, através de um jogo aberto no qual toda forma de resolução dos desafios cênicos pode ser utilizada.

Acredito que, além das características acima citadas, existem outras contribuições do trabalho com o jogo clownesco no contexto escolar, como: o espaço de riso e a aprendizagem através do prazer, a transgressão, a crítica social, desenvolvimento moral e ético, a resignificação do espaço escolar como local de alegria e riso, entre tantas outras.

PORQUÊS...com ou sem acento, separado ou não!





Minha paixão pelo clown reside em duas características, que são a base da arte clownesca: a revelação e a interação. Características essas que colocam o indivíduo de frente com a própria imagem e as próprias ações, enfatizando seu lado humano e promovendo interações através do jogo.

“O clown não é apenas uma linguagem, é, também, uma forma de olhar o mundo, de se reconhecer humano e de reconhecer a humanidade nos outros.” (ICLE, 2006, p. 12).

O trabalho com o palhaço possibilita um conhecimento profundo das potencialidades criativas de cada individuo, na medida em que permite um processo de auto-conhecimento e a construção de um estado de jogo. Os jogos e exercícios característicos da arte clownesca propiciam o desenvolvimento do jogo cênico dos alunos, justamente por criarem uma atmosfera de “permissão”, onde tudo é possível através da máscara do palhaço. Segundo Puccetti (2000), a máscara do clown serve como um espelho da sociedade, revela as inúmeras facetas do ser humano, permite a crítica, o olhar distorcido e o reconhecer de si.

“O clown é aquele que fica face a face com todas as direções do ser humano, ou seja, entra em contato com todas as nuances do ser, revelando-as e permitindo que possamos rir de nós mesmos.” (PUCCETTI, 2000, p. 89).