quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fronteiras II

Toda essa minha divagação do EU social, e o EU total (sei lá de onde eu tirei esses conceitos!) foi desencadeado por duas coisas:
1. Meus questionamento entre a fronteira do meu EU e da minha PALHAÇA;
2. E o retorno de alguns alunos a respeito da oficina. Muitos me escreveram (durante os temas de casa) impressionados com o fato de como em um olhar eu conseguia ver, aquelas coisas que são segredos da vida deles.

Então quero desenvolver meu pensamento em duas frentes: do reconhecer a totalidade de si em relação a máscara social (que já esbocei na postagem anterior) e da EMPATIA.

"O processo de descoberta do clown pessoal provoca a quebra de couraças que usamos na vida cotidiana... Mais do que formas esteriotipadas, o que causa o riso são as manifestações autênticas advindas da sensação de desconforto e insegurança do clown diante do público."
(BURNIER, A arte de ator, p. 218)


"A função da máscara seria ajudar cada um entrar em contato com as próprias direções internas."
(PUCCETTI, O clown através da máscara, Revista do Lume, p. 89)

A partir desses dois referenciais, entende-se a arte do palhaço como um trabalho de desenvolvimento pessoal e único na direção da experimentação, reconhecimento e utilização das inúmeras possibilidades expressivas, energéticas e de sentimentos de cada ser humano envolvido no processo.

Assim, a função do professor é possibilitar um espaço de experimentação dessas possibilidades, assim como de ajudar cada aluno em seu processo de descoberta, revelação, reconhecimento e apropriação de suas diferentes possibilidades de ação e reação. Da mesma forma é preciso construir um trabalho que possibilite  aos alunos tomadas de consciência em relação ao próprio trabalho e dos outros envolvidos (colegas e platéia) para o desenvolvimento dos jogos cênicos, das gags e da relação com o público.

Aí entra o conceito de EMPATIA!

Do grego EMPATHEIA, “paixão, estado de emoção”, de EN, “em”, mais PATHOS, “sentimento”

Empatia é a capacidade  de colocar-se no lugar do outro, de reconhecer e compreender as emoções de outros indivíduos. Encontrei no site http://redepsicologia.com/empatia uma definição interessante que diz:

"Muitas vezes, é caracterizada como a capacidade de 'colocar-se nos sapatos da outra pessoa', ou, de algum modo, a experiência das perspectivas e emoções de um outro ser dentro de si."

Colocar-se nos sapatos de outra pessoa é muito clownesco! Seguindo, o mesmo artigo aponta para a necessidade de compreender que empatia não é simplesmente reconhecer o estado emocional do outros, mas é a percepção e compreensão de um intricado e complexo conjunto de relações que envolve sujeitos, objetos e formas de reação. 

"As emoções das pessoas raramente são postas em palavras; com muito mais frequencia são expressas por outras formas. A chave para que possamos entender os sentimentos dos outros está na capacidade de interpretar canais não verbais: o tom de voz, gestos, expressões faciais e outros sinais."
(GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional, p. 110)


Assim a arte do palhaço ao mesmo tempo que requer, pode possibilitar o desenvolvimento da empatia, tendo em vista que o jogo do palhaço necessita do reconhecimento de si e do outro para a construção da ação cênica.
Mas o conceito de EMPATIA é extremamente importante para mim, porque se conecta com a noção de humanidade, DE UM OLHAR AMOROZO em relação ao outro.
Olhar o outro amorazamente, buscando colocar-se em seu lugar, entendendo suas peculiaridades e sentimentos resgata aquilo que por vezes se perde no emaranhado de função do cotidiano, que é ver e ouvir de fato o outro, contemplar um mundo além do próprio umbigo e suas vontades! Empatia é o caminho para a compaixão e o autruísmo! Mas isso é outra história!!!!


O estado de empatia, ou de entendimento empático, consiste em perceber corretamente o marco de referência interno do outro com os significados e componentes emocionais que contém, como se fosse a outra pessoa, porém sem perder nunca essa condição de “como se”.
(Wikipédia as vezes ajuda!)

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